SUS

Em entrevista exclusiva para Região e Redes, Paulo Gadelha, presidente da Fundação Oswaldo Cruz, afirmou que, dada a capilaridade e complexidade do SUS, o Brasil assumiu o protagonismo no combate ao mosquito transmissor da zika. “Essa experiência com a epidemia zika é fruto de um trabalho coordenado, mas precisamos olhar para a frente porque esse não será o nosso último caso de epidemia”, advertiu.

Segundo Erminia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a falta de saneamento, de urbanização e de moradia ajudam a explicar porque o país convive com o mosquito Aedes aegypti. Para ela, a solução passa por tirar os mercadores das decisões sobre o investimento do dinheiro público. “Não adianta fazer o urbanismo do espetáculo passando por cima de décadas de demandas atrasadas”.

“Qualquer que seja a decisão, sempre haverá os prós e os contras”, afirma Luís Pisco, professor convidado do Departamento de Medicina Geral e Familiar da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Nesta entrevista ele lembra que no Canadá e na Noruega a recentralização obteve resultados melhores do que a descentralização que a antecedeu.

O médico sanitarista e deputado federal pelo Ceará, Odorico Monteiro, defende que planejamento e gestão regional devem ser aprimorados e ampliados para garantir o avanço do SUS. Até aqui, o sistema brasileiro dependeu muito da municipalização para avançar. Hoje essa política não dá mais conta do presente e menos ainda do futuro.

O professor do Institute of Health Policy, Management and Evaluation, da Universidade de Toronto, conta nesta entrevista um pouco da experiência do Canadá com a regionalização. A introdução de um modelo de governança e gestão mais ativo tomou lugar de um sistema dominado por pagamentos passivos do governo aos provedores de serviços de atenção à saúde.

A incorporação tecnológica pode impactar os sistemas de saúde para o bem ou para o mal. Ao mesmo tempo em que melhora os serviços de prevenção, diagnósticos, tratamentos e reabilitação, também os tornam mais caros e menos inclusivos. Leia mais na entrevista com Hudson Pacífico da Silva, pesquisador da École Nationale d‘Administration Publique (Canadá).

O pesquisador Eronildo Felisberto, do Grupo de Estudos em Gestão e Avaliação em Saúde do IMIP, explica nesta entrevista o papel da Vigilância em Saúde na Atenção à Saúde e a importância da mobilização proporcionada pela pesquisa Região e Redes em torno do tema da regionalização.

A regionalização está avançando no Brasil, mas ainda muito lentamente. Um desafio importante para acelerar o processo, segundo Ligia Giovanella, pesquisadora da Fiocruz, é encontrar uma forma efetiva de cogestão entre estados e municípios.

Para Fernando Monti, presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais (Conasems) grande parte dos avanços do SUS foi conquistada graças aos gastos e investimentos dos municípios. Contudo, o modelo atual chegou ao seu limite.

Jurandi Frutuoso, diretor executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), mostra que é preciso olhar além das fronteiras dos municípios para se perceber que a alternativa viável para o SUS constitucional é a regionalização.

Back