Saldo da primeira reunião geral

 

O saldo da primeira reunião geral da pesquisa Política, Planejamento e Gestão das Regiões e Redes de Atenção à Saúde no Brasil, em que estiveram presentes cerca de 50 pesquisadores de todo o país, foi bastante profícuo em propostas e questionamentos. Realizado em 14 de fevereiro, na Faculdade de Medicina da USP, o encontro teve início com a apresentação do site da pesquisa www.resbr.net.br, pela coordenadora da pesquisa Ana Luiza Viana. Em seguida, a coordenadora falou das principais estratégias metodológicas da pesquisa: dimensões de análise, realização de um estudo nacional das regiões de saúde e de estudos especiais (Delphi e questionários via web com secretários estaduais e municipais de saúde).

 

Estudo das Regiões – Houve consenso em torno do estudo nacional e dos estudos especiais propostos, das dimensões de análise definidas, da forma de organização dos grupos por dimensão e do cronograma. O debate maior ficou por conta dos critérios de escolha da amostra, as regiões de saúde, para os estudos de caso. A estatística Maria Paula Ferreira propôs uma amostra intencional a ser realizada em 44 regiões de saúde no Brasil. Os critérios para a seleção seriam: presença ou não do capital do ente federativo, características socioeconômicas, prestadores de serviços e população. Comporiam a amostra as 27 regiões em que se incluem as capitais e outras 17 regiões divididas por representatividade numérica entre estados da federação.

[1] Sugestões apontadas para critérios de escolha das regiões de saúde para os estudos de caso:

  • A seleção da amostra também deve levar em conta fatores como: Projeto QualiSUS-Rede (Formação e Melhoria da Qualidade da Rede de Atenção à Saúde), bioma, uso do solo, ordenação do território, fronteira seca do Rio Grande do Sul, entre outros.
  • Atentar para a importância de lidar com a conformação de redes de atenção à saúde, variabilidade de serviços para a seleção da amostra, assim como regiões com maior e menor oferta de serviços. Em um estudo multicêntrico devem-se definir dimensões, questões, critérios, simplificação e possibilidade de interação.
  • Somente depois da divisão por dimensões será possível elencar os critérios para seleção da amostra nacional, tendo como base a pertinência das perguntas focalizadas de cada dimensão. Devem-se também criar critérios quantitativos a fim de gerar uma tipologia para comparação. A escolha dos grupos vai indicar critérios em função dos objetos de análise.
  • Retomar objetivos para fechar a amostra intencional. Experiências inovadoras têm de estar contempladas, assim como todas as capitais. Para racionalizar o uso dos recursos financeiros, sugeriu-se a amostra inicial das 27 regiões com capitais e, em um segundo momento, das 17 outras. Para a seleção dessas 17, seria necessária uma avaliação das situações que não foram contempladas nas 27 primeiras. Entretanto, os pesquisadores poderiam trabalhar com regiões não selecionadas na amostra, utilizando recursos de outros projetos.
  • A amostra para todas as dimensões deve ter representatividade nacional, ou a experiência e o interesse das instituições são mais importantes nessa escolha? Deve-se usar como critério o peso do interesse institucional na definição da amostra?
  • O Survey eletrônico com secretários municipais e secretários estaduais de saúde pode dar uma base, através das respostas, para a escolha da amostra regional e para a elaboração do instrumento.

 

Dimensões de análise – A divisão por dimensão é uma estratégia metodológica para agregar esforços dos pesquisadores e organizar o trabalho, de forma a constituir grupos que aprofundem o conhecimento sobre determinadas questões, mas que estão em permanente comunicação no âmbito da rede nacional de pesquisa.
A conformação dos grupos deve ocorrer de acordo com interesses pessoais e pesquisas em andamento. É importante refletir, no entanto, em que medida essas pesquisas se articulam com o projeto maior, favorecendo a criação de sinergias e articulações entre pesquisadores e instituições de pesquisa.

Durante os debates foram feitas as seguintes ponderações: a saúde indígena não está contemplada nas regiões ou nas diretrizes, logo deve ser tratada a parte; o instrumento (questionário) não deve ser fragmentado. Concluiu-se que todas as dimensões estão relacionadas. Entretanto, as dimensões se sobrepõem e, portanto, é preciso definir melhor o que se espera. Nem todas as dimensões precisam ser aplicadas em todas as regiões.

 

Instrumento (questionário) – Deverá ser aplicado nas regiões de saúde selecionadas para o estudo nacional, envolvendo diferentes atores e instituições públicas e privadas, agregando questões que subsidiam as análises de cada uma das dimensões da pesquisa. O trabalho dos grupos deverá orientar a construção do instrumento (questionário), indicando o rol de entrevistados e as questões pertinentes.

 

Cronograma – Os grupos deverão realizar suas oficinas metodológicas a partir de maio de 2014. O instrumento (questionário) deverá ser elaborado até agosto; testado e consolidado até outubro de 2014; e aplicado em todas as regiões selecionadas para o estudo entre março e agosto de 2015.

Atividades 2014 2015
Oficinas metodológicas MAIO
Elaboração do questionário JUN/AGO
Teste e consolidação do questionário SET/OUT
Coleta de dados primários (aplicação questionário nas regiões de saúde) MAR/AGO

 

Site – O endereço eletrônico (resbr.net.br) deverá estar em pleno funcionamento a partir de abril. Todos os pesquisadores receberão um login e senha para acessar o espaço restrito aos pesquisadores, onde poderão postar estudos e interagir com todo o grupo. Para o público em geral estarão disponíveis conteúdos sobre o tema da regionalização da saúde, além do projeto da pesquisa, resumo executivo, bibliografias, entrevistas, notícias e artigos temáticos.

Uma importante ferramenta para pesquisadores e usuários em geral é o banco de indicadores hospedado no site. Ele traz informações socioeconômicas, demográficas e de saúde de todos os municípios brasileiros, bem como das 431 regiões de saúde, para subsidiar o desenvolvimento da pesquisa. Ali, o usuário também encontrará tipologias de regiões de saúde que possibilitarão uma caracterização conforme as condições socioeconômicas e de oferta e a complexidade dos serviços de saúde.

 

Bom trabalho a todos!

 

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