Complexo Econômico-Industrial da Saúde: a base econômica e material do Sistema Único de Saúde

Uma sociedade equânime, com qualidade de vida, comprometida com os direitos sociais e o meio ambiente é condicionada pela existência de uma base econômica e material que lhe dê sustentação.

Carlos Augusto Grabois Gadelha | Cadernos de Saúde Pública

O programa de pesquisa do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) vem sendo desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) há mais de duas décadas e indica a interpendência analítica e política entre as dimensões econômicas e sociais do desenvolvimento. A saúde é vista como um claro e destacado espaço de reprodução da dinâmica capitalista em sua tensa articulação com a vida, a política e a sociedade, superando visões fragmentadas e setorializadas que ora a tratam como externalidade (ou como mero capital humano) ora como um campo específico e insulado das políticas sociais. A pandemia da COVID-19 acentuou a importância de tratar a saúde como um espaço de desenvolvimento, a um só tempo econômico e social, superando falsas e lineares dicotomias entre essas esferas.

Este artigo busca aprofundar o elo entre a economia política e o campo da saúde coletiva, partindo do tratamento endógeno das dimensões econômicas e sociais para um diálogo com o conceito dos determinantes sociais da saúde, definido como as condições sociais que afetam o estado de saúde de indivíduos e grupos sociais 1,2.

Nesse espaço de reflexão teórica, o artigo situa a saúde no campo dos direitos e do bem-estar social, mas inserida na estrutura social e econômica do modo de produção capitalista. A saúde é parte intrínseca dessa estrutura, reproduzindo as contradições do modelo de desenvolvimento em seu interior. Com isso, supera-se o tratamento “insulado” e setorial da saúde e o debate (restrito) em torno de sua funcionalidade para o crescimento ou para o bem-estar, inserindo-a no âmbito dos padrões nacionais e globais de desenvolvimento, marcando uma relação indissociável entre as dimensões econômicas, sociais e ambientais.

Uma sociedade equânime, com qualidade de vida, comprometida com os direitos sociais e o meio ambiente é estruturalmente condicionada pela existência de uma base econômica e material que lhe dê sustentação. Essa visão sistêmica e dialética é a principal contribuição teórica e política pretendida pelo artigo, que procura contribuir para uma abordagem de saúde coletiva integrada com uma visão de economia política.

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